Líder religioso é indiciado por 19 crimes após denúncias de violência e abusos no Tocantins
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Líder religioso é indiciado por 19 crimes em Palmas após denúncias de agressões, ameaças, abusos e suposta indução ao uso de drogas.
Investigação reúne relatos de agressões, ameaças, importunação sexual e suposta indução ao uso de drogas durante atividades religiosas em Palmas.
Um líder religioso de 38 anos foi indiciado pela Polícia Civil do Tocantins por 19 crimes após uma série de denúncias apresentadas por frequentadores de uma casa de acolhida localizada em Palmas.
De acordo com a investigação, as denúncias envolvem episódios de agressão física, ameaças, violência psicológica, importunação sexual, perseguição, injúria, violação de domicílio e suposta indução ao consumo de drogas ilícitas, entre outros crimes.
A Polícia Civil informou que foram concluídos sete inquéritos relacionados ao caso. Entre os indiciamentos estão seis por violência psicológica contra a mulher, três por ameaça e dois por injúria.
Vítimas relatam medo e agressões
Durante entrevistas à TV Anhanguera, algumas vítimas, que não tiveram os nomes divulgados, relataram situações de violência e disseram que frequentadores do local teriam passado a participar das atividades religiosas sob medo de sofrer represálias.
Um dos relatos descreve uma suposta agressão durante uma reunião, enquanto outra vítima afirmou que pessoas que deixavam o espaço seriam posteriormente ameaçadas.
Segundo a investigação, o líder também teria utilizado a alegação de incorporação de entidades espirituais durante determinados rituais para justificar comportamentos denunciados pelas vítimas.
Uma frequentadora relatou à polícia ter sofrido toques de natureza sexual sem consentimento. Segundo o depoimento, o investigado teria alegado estar incorporando uma entidade espiritual no momento do episódio.
Também foi relatada uma suposta invasão de residência durante a noite após o episódio.
Investigação aponta suposto uso de drogas em rituais
Outro ponto investigado pela Polícia Civil envolve a alegação de que o líder religioso teria fornecido maconha e cocaína a frequentadores antes de determinadas sessões.
Segundo a investigação, as substâncias seriam apresentadas como uma forma de facilitar ou intensificar a experiência espiritual.
O delegado responsável pelo caso classificou a dinâmica investigada como uma espécie de “terror místico”, afirmando que as vítimas acreditavam estar participando de atividades religiosas quando, segundo a polícia, estariam sendo submetidas a situações abusivas.
Entidade religiosa diz que investigado foi suspenso
A Associação das Casas de Culto de Matriz Afro-Brasileira do Tocantins informou que o investigado foi suspenso das atividades religiosas após o surgimento das primeiras denúncias.
A entidade também lamentou os relatos apresentados pelas vítimas e destacou que as condutas atribuídas a uma pessoa não representam as práticas de toda a comunidade religiosa.
Investigado responde em liberdade
O líder religioso responde às acusações em liberdade. O caso foi encaminhado ao Ministério Público do Tocantins e tramita sob sigilo.
A defesa informou que irá se manifestar no processo e contestar as acusações apresentadas contra o investigado.
O indiciamento representa a conclusão da investigação policial sobre os fatos apurados, cabendo ao Ministério Público avaliar as providências seguintes e à Justiça decidir sobre eventual responsabilização criminal.

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